A exibição mostra uma cultura forte e viva, mas que está sob a pressão da cultura principal que a envolve e traz multidões cada vez mais próximas. Por meio século, as tribos indígenas da parte superior do Xingu, foram protegidas de muitos dos problemas que as tribos em outras partes de Brasil – e em outros países – foram forçados a enfrentar. A proteção benevolente concedida pelos Irmãos Villas-Boas e sua equipe, permitiram a essas tribos um espaço para respirar antes de serem expostos à forca total da sociedade caraíba (não índios).
As imagens dos agentes indígenas de saúde e dos professores indígenas, que trabalham em escolas da aldeia, mostram um investimento no futuro, dando às comunidades as ferramentas que necessitam para resistir à erosão de suas culturas e deterioração de seu estilo de vida. No entanto, outras imagens mostram a destruição da Floresta Amazônica, até os limites das reservas, e a poluição da água do rio.
Sue Cunningham sente que é importante mostrar o caráter real das vilas dessas tribos como uma cultura viva. “Estes povos não são algum anacronismo da Idade da Pedra,” diz. “São pessoas do Século 21 cujos valores e prioridades são diferentes das pessoas da corrente principal. Enquanto parecemos inclinados a destruir toda a beleza e vitalidade naturais do Xingu em nome do progresso, eles estão satisfeitos por viver com a natureza, usando somente coisas externas que os ajudaram a manter sua ligação com a terra, a água e o céu. Nóstemos muito o que aprender com este povo que compreende a verdadeira alma da Amazônia. Apesar de tudo, são os primeiros brasileiros.”
Sue não vê nada estranho nas coisas que os indígenas usam. É um povo altamente adaptável, pronto para fazer uso das tecnologias que melhorarão suas vidas, tanto em uma maneira prática ou para fortalecer sua cultura. Hoje, há equipes, nas aldeias dessas tribos, capazes de produzir vídeos bem feitos e editados. Mesmo assim, sua vida cotidiana continua completamente familiar a seus antepassados que habitaram a região há quarenta mil anos.

Em 6 de junho, dentro das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, chega a Brasília a mostra fotográfica de Sue Cunningham já exposta, no ano passado, na Europa. A exposição é uma aventura fotográfica vivida pelo casal Sue e Patrick Cunningham que durante quatro meses percorreu 2,7 mil km do rio Xingu, visitou 48 aldeias e 18 etnias, numa expedição que se chamou ‘Coração do Brasil’. A exposição será no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. Mais de cem fotos espetaculares mostram a vitalidade e vibração de uma cultura de indígenas do Rio Xingu num tempo de grandes desafios e mudanças.

Despindo a roupa janota da Gala e indo directo para os ensaios e acabamentos finais da construção da Cidade do Rock. Para não quebrar a tradição de passar a derradeira madrugada, de vela com a turma, no Parque da Belavista .

Podia ficar por um dia e uma vida a vagar nesta capa. Devagar.

Foi há tanto tempo. Estava no mato, no sertão. Lembro que era noite. Tinha que ser. Eu olhava o céu e ele estava cheio de estrelas. Brilhavam a ponto de fazer esquecer a lua, quase uma lâmina de foice, amarelada, anunciando chuva. E, de repente, me dei conta de que estava olhando o passado. Todo aquele brilho, aquela luz vinha de milhares, até milhões de anos no passado. Algumas daquelas estrelas, cujo brilho tanto, agora, me encantava, talvez já estivessem mortas. Muito antes do meu olhar. Mortas desde muito tempo antes da vida aparecer aqui. Mais cedo, jogando conversa fora, alguém tinha dito que “o sol vai explodir em cinco milhões de anos”. Vai explodir e levar junto com ele para a escuridão todos os planetas ao redor, todas as luas. E esse canto do universo vai ser mais um lugar escuro e ninguém, lá bem longe de nós, poderá ver o nosso brilho em nenhuma noite. Não tem importância,
pensei, não estarei mais aqui. De mais a mais, é bem provável que quando isso acontecer já teremos evoluído ao ponto de ter escapado desta prisão. A ciência – ou algo parecido – já nos terá enviado para os confins do espaço e nos espalhado pela galáxia.

J. Wilker

Há, efectivamente, momentos de extrema lucidez onde, como que por magia, tudo se enxerga com claridade. Nunca havia me dado conta que para ficar de novo olhos nos olhos com o que passou, basta simplesmente esperar que anoiteça e erguer o olhar. Nunca, até então, me havia ocorrido essa evidência espantosa de que olhar para as estrelas é estar frente a frente com o passado e, nesse sentido, ajudá-lo a cumprir o que, em si mesmo, sempre trouxe em potência: suprimir-se do fim e roçar a eternidade.
E quem sabe é por isso que me sinto, esta manhã, a despertar dentro de uma certa felicidade que foi como que milagrosamente revigorada. Quem diria que hoje ao acordar eu haveria de descobrir que é sem razão isso que humanamente nos amargura desde que principiamos a tomar consciência de nós: afinal é possível, sim, voltar atrás. Voltar lá atrás. Por tantas vezes quantas as estrelas que houver no céu. Quando anoitecer e tudo se puder olhar mais de perto e de frente.

Never doubt that a small group of thoughtful committed citizens can change the world: indeed it’s the only thing that ever has.
Margaret Mead


Simone de Beauvoir

Contam-se muitas histórias. Eu só sei que, seja lá como fôr, ela e Sartre inventaram um mundo outro. Faria cem anos, se fosse viva. Mesmo morta, quando a olho assim, parece-me forte. Tão forte. Logo, parece-me bela. Também. Mais nada.

Mesmo com nas noites frias gosto de deixar as janelas abertas de par em par. É assim nos meses de Inverno. Não vejo razão para que seja diferente em Maio. Mesmo sendo um Maio como este. Fresco, chuvoso e agitado pelos caprichos da ventania. Aliás, agora me dou conta que Maio já vai quase no final. Não é absolutamente espantoso como um mês passa a voar?!… Não parece, mas o tempo passa bem mais depressa do que se julga.

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Entrou uma mosca, na casa. Uma mosca varejeira, dessas que abomino e me bolem com os nervos a cada vassourar de asas. O primeiro impulso é escorraçá-la, mas está tonta demais para acompanhar a direcção para onde o suplemento de cultura do jornal de sexta-feira a enxota. Um qualquer rídiculo no meu esbracejar vão me faz desistir da varejeira. Deixá-la! Que saia quando quiser por onde entrou. Mas aquele ruído de corpo electrocutado que faz sempre que se desloca no ar, tira-me do sério. Não consigo sequer concentrar-me no nada. Só aquele rumor irritante de vôo em desnorteio que me perturba e incomoda. E, se primeiro venço esse instinto de a esmagar ao primeiro círculo mais próximo, depois sinto-o ressurgir como um imperativo gritante ao sossego. Torno a enrolar o suplemento na mão. Chego mesmo a pôr-me de pé. Mas depois fico a ver-lhe a asa tonta e triste, os volteios cambaleantes e o desprezo imobiliza-me o gesto. Desisto de lhe abençoar o desvario com uma abrupta morte certa que lhe ponha fim ao desnorte em tropeção que a atira contra as paredes e as vidraças, mesmo tendo as janelas abertas de par em par a facilitar-lhe a saída para a liberdade da noite lá fora. Desisto, eu confesso. Porque vê-la assim, obcecada e totalmente sorvida por tudo quanto reluz, incapaz de se soltar do fascínio que a atrai na direcção fatal das lâmpadas, me causa um súbito dó. Um dó de que tomo consciência, no exacto momento em que olho a varejeira e dou comigo a lembrar-me de muito boa gente que conheço. Igual. Igualzinha, a varejeira: a voar em círculos e aos tombos, a embater contra tudo, totalmente desorientada no rumo e sem qualquer direcção, mesmo não parando quieta um só segundo. E desisto de mover um dedo para, numa sapatada, acabar com o incomodo que me causa. Em vez disso, calço a primeira coisa que me aparece, visto um casaco, meto algumas moedas no bolso e saio para comprar cigarros antes que o café da esquina feche. Sei que, entretanto, quando eu decidir voltar para casa ela já lá não estará. Já vai ter saído, eu sei. E senão sair, há-de acabar por morrer, eu sei. Se não sair, vai acabar por se acabar e morrer, tenho a certeza. Mais tarde ou mais cedo. Nem vale a pena apostar. Pois se acontece com as pessoas!…

Maria Rita canta Sábado e Domingo no Coliseu de Lisboa, sempre às 22h.

Filha de filha de Elis Regina e César Camargo, Maria Rita edita o seu primeiro álbum homónimo com 24 anos, em 2003, que lhe valeu um imediato reconhecimento do público e da crítica especializada. O disco vendeu mais de 500 mil unidades e valeu-lhe a conquista de três Grammys Latinos.
Dois anos decorreram até à edição do novo disco, Segundo, que alcançou vendas superiores a 700 mil cópias.
O terceiro álbum, Samba Meu, editado no ano passado, leva Maria Rita numa nova direcção – o samba. Integrando, sobretudo, composições tradicionais, o disco demonstra uma forma muito própria de ver e interpretar o samba.

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